TURMA UNISO_ EVENTOS E HOTELARIA
(ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS PARA HOTÉIS E RESTAURANTES)
TEXTO 1 - PANORAMA DO
MERCADO DE EVENTOS NO BRASIL
Segundo registros do Ministério da Cultura, antes da chegada
da Família Real, em 1808, já eram realizadas algumas feiras no Brasil (MATIAS,
2007). Eram acontecimentos pouco estruturados, pois aconteciam em locais
abertos, sem espaço próprio, geralmente aos domingos ou em paralelo aos
festejos religiosos.
Comerciantes vendiam seus produtos em suas barracas
simultaneamente às apresentações de artistas locais, como poetas e contadores
de histórias. Nestas ocasiões eram desenvolvidas atividades comerciais em
paralelo à atividades de cultura e lazer para os frequentadores.
A primeira Exposição Nacional Brasileira ocorreu em 1861, no
prédio da Escola Central do Largo do São Francisco, Rio de Janeiro. Nela foram escolhidos
os produtos que participariam da Exposição Internacional de Londres de 1862. A
segunda Exposição Nacional também ocorreu no Rio de Janeiro, em 1866 e a
terceira no Rio Grande do Sul, em 1873.
A importância dessas exposições para a organização de futuros
eventos em território Brasileiro de grande porte é comentada por Matias (2007):
Até então o Brasil não tinha nenhuma experiência em organizar eventos técnicos
científicos, feiras e exposições. Mas com a organização das exposições
nacionais preparativas das exposições internacionais, conseguiu adquirir e
aprimorar seus conhecimentos em termos técnicos e organizacionais. (MATIAS,
2007, p. 26).
A progressiva realização de exposições demandou a construção
de um local específico para abrigar eventos desse porte. Em 1908 a Exposição
Nacional, ocorreu no Pavilhão de Feiras da Praia Vermelha, primeiro local
construído para receber grandes feiras.
A Exposição Internacional do Centenário que tinha por
objetivo comemorar um século da independência do Brasil. Contou com a
participação de 14 países expositores e foram construídos 15 pavilhões para
abrigar o evento. O evento recebeu aproximadamente 3.500.000 visitas durante o
período de realização entre setembro de 1922 e julho de 1923. Foi um marco para
o Turismo de Eventos no país e o Brasil ganhou notoriedade como organizador de
feiras.
A partir de 1920, especialmente na década de 1940; houve uma
ampliação de locais para eventos no Brasil. Foram inaugurados os
hotéis cassinos, que além dos jogos ofereciam grandes reuniões, festas,
espetáculos nacionais e internacionais.
Em relação aos eventos realizados em empreendimentos
hoteleiros, Meirelles (2003) ressalta que nessa época os hotéis eram destinados
ao turismo de lazer e a realização de eventos não estava dentre seus objetivos
comerciais. No entanto é relevante o pioneirismo desses espaços.
Nesse período, devido ao número restrito de pesquisas e
empresas em território Brasileiro não se tem registro da ocorrência de eventos
corporativos, técnicos e científicos. Dessa forma, os eventos realizados eram
especialmente de cunho social.
O término da Segunda Guerra Mundial ocasionou o aquecimento
da economia ampliando o número de indústrias e suas respectivas produções.
Melhorias progressivas ocorreram no campo de estudos tecnológicos e pesquisas
científicas. Este novo cenário acarretou no crescimento do número de eventos
produzidos, implicando na necessidade de construção de mais espaços destinados
a atender esta crescente demanda.
A Copa do Mundo em 1950 foi um evento de singular notoriedade
para o quadro de eventos até então promovidos. Atraiu visitantes estrangeiros
para a sua realização além de contribuir com construção de equipamentos para
atender o evento que permaneceram após o fim dos jogos.
O Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, foi a obra de maior
destaque. Matias (2007) informa que esse equipamento construído com o objetivo
de atender aos jogos esportivos, atualmente é utilizado também para abrigar
outros tipos de eventos como shows musicais.
A autora supracitada ressalta que a Copa do Mundo contribuiu
para a organização da atividade turística no Brasil. Após este evento, em 1953,
foi criada no Rio de Janeiro a Associação Brasileira de Agentes de Viagens
(ABAV).
Em 1954, foi inaugurado o conjunto arquitetônico do
Ibirapuera em São Paulo. Dentre seus atrativos estava o pavilhão de feiras, que
a brigou muitas das principais feiras e exposições do país; especialmente até
nas décadas de 50 e 60.
A primeira empresa Brasileira especializada em Congressos e
Convenções foi fundada na cidade de São Paulo, em 1962; denominada Alcântara
Machado Feiras e Promoções Ltda. É um marco para o início da profissionalização
do segmento de eventos no país. Nota-se que nesse período a demanda de
prestação de serviços para atender às necessidades do setor de eventos na
cidade era latente. A década de 70 teve marcos para o desenvolvimento do
segmento de eventos no país.
Um dos acontecimentos foi a fundação da Associação
Brasileira de Empresas Organizadoras de Eventos (ABEOC) como entidade
representativa dos interesses das empresas organizadoras, promotoras e
prestadoras de serviços para eventos.
Nesta mesma década foram inaugurados dois dos centros de
convenções mais importantes do Brasil. O Rio Centro, na cidade do Rio de
Janeiro, considerado até hoje o maior centro de convenções na América Latina e
em São Paulo o Palácio de Convenções Anhembi. Nesta época a cidade de São Paulo
já sediava eventos como o Salão do Automóvel e eventos nacionais científicos,
como o Congresso de Dermatologia em 1972.
Atualmente, São Paulo é o principal pólo do Turismo de
Eventos do Brasil. Segundo o São Paulo Convention and Visitors Bureau, a cidade
é responsável pela realização média de 90.000 eventos por ano e por sediar 75%
do mercado das feiras de nacionais. Os eventos realizados no Brasil são
fortemente concentrados na região Sudeste. De acordo com levantamento
estatístico denominado I Dimensionamento a Indústria de Eventos no Brasil;
realizado em 2001, pela Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureau
(FBC&VB), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e
Consultoria Técnica Integrada (CTI); a região recebe 52%, mais da metade dos
eventos realizados no país.
Uma das razões para esse resultado é a influente
participação da região na economia Brasileira que por consequência impulsiona o
turismo de negócios, um grande gerador de eventos. Em seguida à região Sudeste,
vem a região Sul, com pratica mente a mesma porcentagem de eventos sediados no
Nordeste. A distribuição dos eventos por região Brasileira pode ser observada
na figura abaixo:
O Sudeste apresenta também o maior número de participantes de
eventos. Pode ser atribuído a este dado ao fato da região concentrar a maior
parte da população do país e as camadas de maior poder socioeconômico. Não
obstante, o acesso de turistas é facilitado na região em função do elevado
número de vôos nacionais e internacionais comparados às demais regiões
Brasileiras. O Nordeste tem a segunda maior porcentagem de participantes por
evento do país e a região Sul, a terceira.
Segundo esta pesquisa (FBC&VB, Sebrae, CTI ), no ano de
2001 ocorreram mais de 330 mil eventos no Brasil. Somando-se os gastos dos
participantes, a receita das locações de espaços e das empresas organizadoras,
a renda total movimentada pelo setor foi de R$ 37 bilhões em um ano, o que
representa 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) Brasileiro. O desenvolvimento do
setor de eventos no Brasil favoreceu o número de eventos nacionais e o destaque
do país como um destino para eventos internacionais.
Referências:
ALLEN, Johnny, O’TOOLE, William, Mc DONNELL, Ian,
HARRIS, Robert. Organização e gestão de eventos. Rio de Janeiro: Elsevier,
2003.
ANSARAH, Marilia Gomes dos Reis. Turismo segmentação de
mercado. 4 ed. São Paulo: Futura, 2001.
GIACAGLIA, Maria Cecília. Organização de eventos:
Teoria e prática. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.
MATIAS, Marlene. Organização de eventos: Procedimentos
e técnicas. 4 ed. atualizada. São Paulo, Manole, 2007.
MARTIN, Vanessa. Manual prático de eventos. São Paulo:
Atlas, 2003.

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