segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

TURMA UNISO_ EVENTOS E HOTELARIA - (DISCIPLINA: ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS PARA HOTÉIS E RESTAURANTES)


TURMA UNISO_ EVENTOS E HOTELARIA
(ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS PARA HOTÉIS E RESTAURANTES)


TEXTO 1 - PANORAMA DO MERCADO DE EVENTOS NO BRASIL

Segundo registros do Ministério da Cultura, antes da chegada da Família Real, em 1808, já eram realizadas algumas feiras no Brasil (MATIAS, 2007). Eram acontecimentos pouco estruturados, pois aconteciam em locais abertos, sem espaço próprio, geralmente aos domingos ou em paralelo aos festejos religiosos.

Comerciantes vendiam seus produtos em suas barracas simultaneamente às apresentações de artistas locais, como poetas e contadores de histórias. Nestas ocasiões eram desenvolvidas atividades comerciais em paralelo à atividades de cultura e lazer para os frequentadores.

A primeira Exposição Nacional Brasileira ocorreu em 1861, no prédio da Escola Central do Largo do São Francisco, Rio de Janeiro. Nela foram escolhidos os produtos que participariam da Exposição Internacional de Londres de 1862. A segunda Exposição Nacional também ocorreu no Rio de Janeiro, em 1866 e a terceira no Rio Grande do Sul, em 1873.
A importância dessas exposições para a organização de futuros eventos em território Brasileiro de grande porte é comentada por Matias (2007): Até então o Brasil não tinha nenhuma experiência em organizar eventos técnicos científicos, feiras e exposições. Mas com a organização das exposições nacionais preparativas das exposições internacionais, conseguiu adquirir e aprimorar seus conhecimentos em termos técnicos e organizacionais. (MATIAS, 2007, p. 26).

A progressiva realização de exposições demandou a construção de um local específico para abrigar eventos desse porte. Em 1908 a Exposição Nacional, ocorreu no Pavilhão de Feiras da Praia Vermelha, primeiro local construído para receber grandes feiras.
A Exposição Internacional do Centenário que tinha por objetivo comemorar um século da independência do Brasil. Contou com a participação de 14 países expositores e foram construídos 15 pavilhões para abrigar o evento. O evento recebeu aproximadamente 3.500.000 visitas durante o período de realização entre setembro de 1922 e julho de 1923. Foi um marco para o Turismo de Eventos no país e o Brasil ganhou notoriedade como organizador de feiras.

A partir de 1920, especialmente na década de 1940; houve uma ampliação de locais para eventos no Brasil. Foram inaugurados os hotéis cassinos, que além dos jogos ofereciam grandes reuniões, festas, espetáculos nacionais e internacionais.
Em relação aos eventos realizados em empreendimentos hoteleiros, Meirelles (2003) ressalta que nessa época os hotéis eram destinados ao turismo de lazer e a realização de eventos não estava dentre seus objetivos comerciais. No entanto é relevante o pioneirismo desses espaços.
Nesse período, devido ao número restrito de pesquisas e empresas em território Brasileiro não se tem registro da ocorrência de eventos corporativos, técnicos e científicos. Dessa forma, os eventos realizados eram especialmente de cunho social.

O término da Segunda Guerra Mundial ocasionou o aquecimento da economia ampliando o número de indústrias e suas respectivas produções. Melhorias progressivas ocorreram no campo de estudos tecnológicos e pesquisas científicas. Este novo cenário acarretou no crescimento do número de eventos produzidos, implicando na necessidade de construção de mais espaços destinados a atender esta crescente demanda.
A Copa do Mundo em 1950 foi um evento de singular notoriedade para o quadro de eventos até então promovidos. Atraiu visitantes estrangeiros para a sua realização além de contribuir com construção de equipamentos para atender o evento que permaneceram após o fim dos jogos.
O Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, foi a obra de maior destaque. Matias (2007) informa que esse equipamento construído com o objetivo de atender aos jogos esportivos, atualmente é utilizado também para abrigar outros tipos de eventos como shows musicais.

A autora supracitada ressalta que a Copa do Mundo contribuiu para a organização da atividade turística no Brasil. Após este evento, em 1953, foi criada no Rio de Janeiro a Associação Brasileira de Agentes de Viagens (ABAV).
Em 1954, foi inaugurado o conjunto arquitetônico do Ibirapuera em São Paulo. Dentre seus atrativos estava o pavilhão de feiras, que a brigou muitas das principais feiras e exposições do país; especialmente até nas décadas de 50 e 60.
A primeira empresa Brasileira especializada em Congressos e Convenções foi fundada na cidade de São Paulo, em 1962; denominada Alcântara Machado Feiras e Promoções Ltda. É um marco para o início da profissionalização do segmento de eventos no país. Nota-se que nesse período a demanda de prestação de serviços para atender às necessidades do setor de eventos na cidade era latente. A década de 70 teve marcos para o desenvolvimento do segmento de eventos no país. 

Um dos acontecimentos foi a fundação da Associação Brasileira de Empresas Organizadoras de Eventos (ABEOC) como entidade representativa dos interesses das empresas organizadoras, promotoras e prestadoras de serviços para eventos.

Nesta mesma década foram inaugurados dois dos centros de convenções mais importantes do Brasil. O Rio Centro, na cidade do Rio de Janeiro, considerado até hoje o maior centro de convenções na América Latina e em São Paulo o Palácio de Convenções Anhembi. Nesta época a cidade de São Paulo já sediava eventos como o Salão do Automóvel e eventos nacionais científicos, como o Congresso de Dermatologia em 1972.

Atualmente, São Paulo é o principal pólo do Turismo de Eventos do Brasil. Segundo o São Paulo Convention and Visitors Bureau, a cidade é responsável pela realização média de 90.000 eventos por ano e por sediar 75% do mercado das feiras de nacionais. Os eventos realizados no Brasil são fortemente concentrados na região Sudeste. De acordo com levantamento estatístico denominado I Dimensionamento a Indústria de Eventos no Brasil; realizado em 2001, pela Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureau (FBC&VB), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Consultoria Técnica Integrada (CTI); a região recebe 52%, mais da metade dos eventos realizados no país. 

Uma das razões para esse resultado é a influente participação da região na economia Brasileira que por consequência impulsiona o turismo de negócios, um grande gerador de eventos. Em seguida à região Sudeste, vem a região Sul, com pratica mente a mesma porcentagem de eventos sediados no Nordeste. A distribuição dos eventos por região Brasileira pode ser observada na figura abaixo:


O Sudeste apresenta também o maior número de participantes de eventos. Pode ser atribuído a este dado ao fato da região concentrar a maior parte da população do país e as camadas de maior poder socioeconômico. Não obstante, o acesso de turistas é facilitado na região em função do elevado número de vôos nacionais e internacionais comparados às demais regiões Brasileiras. O Nordeste tem a segunda maior porcentagem de participantes por evento do país e a região Sul, a terceira. 

Segundo esta pesquisa (FBC&VB, Sebrae, CTI ), no ano de 2001 ocorreram mais de 330 mil eventos no Brasil. Somando-se os gastos dos participantes, a receita das locações de espaços e das empresas organizadoras, a renda total movimentada pelo setor foi de R$ 37 bilhões em um ano, o que representa 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) Brasileiro. O desenvolvimento do setor de eventos no Brasil favoreceu o número de eventos nacionais e o destaque do país como um destino para eventos internacionais.


Referências:
ALLEN, Johnny, O’TOOLE, William, Mc DONNELL, Ian, HARRIS, Robert. Organização e gestão de eventos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
ANSARAH, Marilia Gomes dos Reis. Turismo segmentação de mercado. 4 ed. São Paulo: Futura, 2001.
GIACAGLIA, Maria Cecília. Organização de eventos: Teoria e prática. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.
MATIAS, Marlene. Organização de eventos: Procedimentos e técnicas. 4 ed. atualizada. São Paulo, Manole, 2007.
MARTIN, Vanessa. Manual prático de eventos. São Paulo: Atlas, 2003.

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